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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Notícia | Jazz em Agosto 2011 na Gulbenkian, de 5 a 14 de Agosto

Um dos melhores festivais de Jazz do nosso país já tem o seu cartaz definido. Vai decorrer como é habitual no Anfiteatro ao Ar Livre e Sala Polivalente da Fundação Calouste Gulbenkian e este ano também haverá concertos no Teatro do Bairro. De seguida podem conferir a programação completa. Um verdadeiro luxo!

Sexta, 5 Ago 2011, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
Cecil Taylor (E.U.A.)
Cecil Taylor (piano solo)



Sábado, 6 Ago 2011, 18:30 - Sala Polivalente
Cecil Taylor: All The Notes (E.U.A.)
Documentário realizado por Christopher Felver (2004, 71’) 



Sábado, 6 Ago 2011, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
Ingrid Laubrock Anti-House (Alemanha, Canadá, EUA)
Ingrid Laubrock (sax tenor, soprano), Mary Halvorson (guitarra eléctrica), John Hébert (contrabaixo), Tom Rainey (bateria), Kris Davis (piano) 



Domingo, 7 Ago 2011, 18:30 - Sala Polivalente
Black February: A film about Butch Morris (E.U.A.)
Documentário realizado por Vipal Monga (2004, 60’) 



Domingo, 7 Ago 2011, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
Wadada Leo Smiths Organic (E.U.A., Islândia)
Wadada Leo Smith (trompete, filiscórnio), Angelica Sanchez (piano), Brandon Ross, Lamar Smith, Michael Gregory (guitarra eléctrica), Okkyung Lee (violoncelo), John Lindberg (contrabaixo), Skuli Sverrison (baixo eléctrico), Pheeroan akLaff (bateria), Jesse Gilbert (VJ) 



Terça, 9 Ago 2011, 22:00 - Teatro do Bairro
Luís Lopes Humanization 4TET (Portugal, E.U.A.)
Luís Lopes (guitarra eléctrica), Rodrigo Amado (sax tenor, barítono), Aaron Gonzáles (contrabaixo), Stefan Gonzáles (bateria)

23h30 DJ Johnny + VJ PTV - jazz mixes (Angola/Portugal) - Entrada livre 



Quarta, 10 Ago 2011, 22:00 - Teatro do Bairro
Little Women (E.U.A.)
Travis Laplante (sax tenor), Darius Jones (sax alto), Andrew Smiley (guitarra eléctrica), Jason Nazary (bateria)

23h30 DJ Johnny + VJ PTV - jazz mixes (Angola/Portugal) - Entrada livre 



Quinta, 11 Ago 2011, 22:00 - Teatro do Bairro
FIRE! (Suécia, Noruega)
Mats Gustafsson (sax tenor, barítono, piano eléctrico Fender, electrónica), Johan Berthling (contrabaixo, baixo eléctrico), Andreas Werlin (bateria)

23h30 DJ Johnny + VJ PTV - jazz mixes (Angola/Portugal) - Entrada livre 



Sexta, 12 Ago 2011, 18:30 - Sala Polivalente
Play Your Own Thing – A Story of Jazz in Europe (Alemanha)
Documentário realizado por Julian Benedikt (2006, 89’) 



Sexta, 12 Ago 2011, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
Brötzmann / Kondo / Pupillo / Nilssen-Love - Hairy Bones (Alemanha, Japão, Itália, Noruega)
Peter Brötzmann (sax tenor, clarinete, tarogato), Toshinoro Kondo (trompete, electrónica), Maximo Pupillo (baixo eléctrico), Paal Nilssen-Love (bateria) 



Sábado, 13 Ago 2011, 18:30 - Sala Polivalente
Femmes du Jazz / Women in Jazz (França)
Documentário realizado por Gilles Corre (2000, 80’) 



Sábado, 13 Ago 2011, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
The Ex Guitars meet Nilssen-Love / Vandermark Duo (Países Baixos, Reino Unido, E.U.A., Noruega)
Terrie Ex (guitarra eléctrica), Andy Moor (guitarra eléctrica), Paal Nilssen-Love (bateria), Ken Vandermark (sax tenor) 



Domingo, 14 Ago 2011, 18:30 - Sala Polivalente
Conferência por Bill Shoemaker (E.U.A.)
TBA



Domingo, 14 Ago 2011, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
John Hollenbeck Large Ensemble (E.U.A.)
Ben Kono (flauta, sax alto, soprano), Jeremy Viner (clarinete), Tony Malaby (sax tenor, soprano), Dan Willis (sax tenor, soprano, oboé), Bohdan Hilash (sax barítono), Rob Hudson, Mike Christianson, Jacob Garchik (trombone), Alan Ferber (trombone baixo), Jon Owens, Tony Kadleck, Dave Ballou, Laurie Frink (trompete), Kermit Driscoll (baixo eléctrico), John Hollenbeck (bateria), Matt Mitchell (piano), Matt Moran (vibrafone), Theo Bleckmann (voz), J.C.Sanford (condutor)
            

segunda-feira, 14 de março de 2011

Notícia | A editora portuguesa Clean Feed faz 10 anos











A Clean Feed Records, editora de jazz portuguesa e considerada no ano de 2010 como uma das cinco mais importantes editoras de jazz de todo o Mundo por diversas publicações musicais conceituadas, completa este ano o seu 10º Aniversário. Para celebrar a data especial a Clean Feed convida-nos a escutar um concerto do pianista Júlio Resende (em trio e a apresentar o seu último trabalho "You Taste Like A Song"), esta quarta-feira dia 16 de Março a partir das 22h na loja própria da editora denominada Trem Azul, sita na Rua do Alecrim, 21 A. A entrada é livre.

No mesmo local mas na sexta-feira dia 18 de Março pelas 21h30 e com entradas a 3€ actua o Open Field String Trio, constituído por João Camões (viola de arco), José Miguel (contrabaixo) e Marcelo dos Reis (guitarra clássica).

Das comemorações ainda fez parte um inusitado duo formado por Luís Lopes (guitarra) e Jean-Luc Guionnet (saxofone alto) que actuou no passado dia 13 no Grande Auditório da Culturgest.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Disco - Novo lançamento | Radiohead - The King of Limbs (XL 2011)




















Com apenas três escutas consecutivas do disco escrevo este comentário crítico ao sempre muito aguardado novo álbum dos Radiohead, eles que criaram essas obras-primas que dão pelo nome "OK Computer" e "Kid A" e que são senhores de uma carreira ímpar e de um ousado percurso musical.

O oitavo disco dos Radiohead é um álbum curto e conciso nos seus 36,13 minutos e 8 faixas de duração e possui um som bastante soturno e electrónico ainda que por vezes seja muito melódico. Nesse sentido é muito a quintessência da própria banda, todos os tiques e ambientes familiares (a tensão entre o sintético e o orgânico, entre o sinistro e belo, entre o tenso e o meditativo, entre o emocional e o cerebral) estão lá mas como que respiram de forma diferente dada a envolvência em muitas camadas de sons, texturas e percussões. Sente-se que Thom Yorke absorveu a inspiração de muitos temas de dubstep e se apropriou deles com todo o grupo. Não deixa de ser curioso que há bem pouco tempo tenha saído um disco com o mesmo tipo de vibração mas, lá está, construído igualmente de forma pessoal e intransmissível, refiro-me ao recente álbum de estreia de James Blake. Assim , reconhecemos imediatamente estas canções como sendo Radiohead mas apontando cada uma em várias direcções, dir-se-ia uma espécie de fusão a um só tempo de "In Rainbows", "Amnesiac" e "The Eraser". Thom Yorke canta mais solto em alguns temas e as faixas têm em média 4/5 minutos. Aparenta ser um disco bastante descarnado e simples mas possui inúmeras camadas de samples, loops e efeitos e há até orquestrações de Jonny Greenwood (que de momento tem em mãos a execução da banda sonora do próximo filme onde entra Tilda Swinton - "We Need to Talk About Kevin" da realizadora Lynne Ramsay). Pode dizer-se que as canções de tendência mais melódica do disco são "Little By Little", Lotus Flower" e "Giving Up The Ghost" e por contraste a que mais se afasta do som anterior da banda será "Feral", tema quase um puro momento de dubstep. Para fazer uma escuta e apreciação mais atenta de cada canção, aqui fica o alinhamento, faixa a faixa.

1. Bloom: entrada em loop de piano, possui um ritmo quase tribal e fragmentado, um baixo funky e a voz de Thom Yorke arrastada e com eco canta "Open your mouth wide, a universal sigh", coros de vozes, pequenos apontamentos de orquestração com cordas e sopros

2. Morning Mr.Magpie: esta música tem um ritmo mais acelarado, batidas e estrutura elíptica, ritmo marcado pela respiração do vocalista, guitarras em stacato e uma sirene, feedback e pássaros a chilrear no final; este tema tal como "Lotus Flower" e "Giving Up The Gost", já eram conhecidos por terem sido tocados não raras vezes em concerto e muito embora surjam aqui com outras roupagens, estas não são muito distantes do que a banda havia testado em palco

3. Little By Little: tema com mais guitarras de todo o disco, ritmo quase tropical-swingante, riff de guitarras roucas sempre contínuo e em espiral, pequenos solos de guitarra a meio da canção, com samples, beats e pratos em camadas como se de uma música de dança se tratasse, faz uso mais explícito de um refrão - "ittle by little, by hook or by crook", melodia trauteável

4. Feral: faixa quase totalmente instrumental, mais próxima do som de "The Eraser", sons dubstep, vozes imperceptíveis e espectrais como em Burial, ritmo sincopado, efeitos de dub e uso de subgraves

5. Lotus Flower: é o single de avanço de "The King of Limbs" com direito a videoclip como mostrámos anteriormente, tem uma entrada em fade in, o baixo tem um ritmo trepidante e sinuoso que conduz toda a canção, bela melodia vocal em falsetto, é o centro do disco, Yorke canta "Slowly we unfurl as lotus flowers"

6. Codex: "balada" com piano e voz, interlúdio de um suave trompete a dar um sabor jazzy a fazer lembrar Amnesiac, só um drumbeat a acompanhar e pouco mais, provavelmente a canção mais despida de arranjos de todo o disco, a letra só começa após o meio da canção, faz lembrar o tema Pyramid Song ou Videotape, da letra consta a linha "Jump off the endinto a clear lake"

7. Given Up The Ghost: começa e acaba com o som de pássaros a cantar, é a faixa com guitarra acústica do álbum, tem travo folk-country, há orquestrações sumptuosas mas simples de Jonny Greenwood, a frase "In your arms, don't hurt me" é usada como um mantra

8. Separator - belíssima faixa com vozes etéreas, baixo de pulsão kraut, guitarras flutuantes com reverb, delays e ecos, bateria circa Kid A/Amnesiac, Thom canta "Wake me up, wake me up" como se desejasse acordar de um sonho, tema que fecha muito bem o álbum; já havia sido tocada ao vivo com o nome "Mouse Dog Bird" no concerto Green Party Benefit de Yorke decorrido no ano passado

Talvez se esperasse que a ousadia do grupo fosse mais longe mas o atingir da maturidade plena da banda é porventura algo contrário a este desejo. O produtor foi novamente Nigel Godrich, praticamente um sexto elemento do conjunto.  Este álbum possui uma certa crueza e tem bastante menos variações e cores do que o anterior "In Rainbows", neste particular "The King of Limbs" parece até bastante monocromático e não aparenta ser (às primeiras audições) uma sequência directa do seu antecessor e isso mesmo surpreende. Num impacto inicial pode até parecer um disco de indefinição do qual as guitarras quase desapareceram mas é um álbum rico em texturas electrónicas e que parece apontar para o caminho futuro. Vai ser um disco que divide opiniões pois não apresenta grandes novidades (inclusive já tínhamos escutado quatro das oito canções) e a sua curta duração sabe mesmo a pouco. Apesar de tudo isso e apesar de os Radiohead não se terem reinventado, escreveram mais um belo punhado de excelentes canções (principalmente "Little By Little," "Lotus Flower "e "Separator") e não vem mal nenhum ao Mundo por isso, bem pelo contrário!